O 2º Encontro Goiano de Comunicação no Setor Público chegou ao fim na manhã de hoje (6/nov) com a realização de quatro oficinas. Promovido pelo Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) em parceria com o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCMGO) e a Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), o evento estimulou o intercâmbio de experiências e o diálogo entre comunicadores e instituições.
No segundo e último dia, a programação apresentou práticas que mostram como a comunicação pode informar, orientar, ouvir e estimular a participação dos cidadãos. Em seguida, os participantes foram conduzidos para salas onde ocorreram as quatro oficinas simultâneas. Os temas das capacitações foram definidos a partir de sugestões colhidas durante a primeira edição do Encontro, em 2025.
Comunicação ágil
Transformar a vida do cidadão e entregar soluções concretas. Esse é o foco da aplicação de metodologias ágeis na comunicação pública, tema conduzido pela especialista Janaína Alcântara, representante do Ministério Público de Goiás (MP-GO) e associada da ABCPública. Durante a oficina “Comunicação ágil na prática: entregando valor em projetos públicos centrados no cidadão”, Janaína destacou que, enquanto a comunicação tradicional carrega mensagens, a comunicação ágil entrega valor. Ela apresentou uma matriz de priorização de tarefas, com base nos critérios de urgência e importância, para atingir objetivos reais e possibilitar medir resultados.
A oficina reuniu comunicadores públicos de Senador Canedo, Jataí, Mineiros e Goiânia, entre outras cidades, que atuam em diversos órgãos. Para a jornalista Daniela Martins, chefe de Comunicação da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), a atividade abriu horizontes. “Tivemos acesso a processos simples que nos ajudam a visualizar um caminho fácil pra tornar a nossa comunicação mais estratégica, com foco na entrega de valor e não prioritariamente no produto de comunicação”, disse.
Contratos de publicidade
A oficina “Gestão da publicidade governamental: planejamento, execução, resultados e transparência” na prática foi ministrada por Jun Tomikawa, secretário adjunto de Comunicação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e associado da ABCPública. Participaram gestores de comunicação de prefeituras goianas, de uma província argentina e de vários órgãos públicos estaduais.
Ele iniciou as atividades perguntando a cada um dos participantes qual é o maior desafio na gestão dos contratos de publicidade governamental na atualidade, sendo o uso do ajuste para objeto diverso a resposta mais recorrente. Na sequência, Jun citou John Wanamaker, criador das primeiras lojas de departamentos no início do século XX, para quem metade dos gastos em publicidade é perdido, referindo-se à dificuldade de mensuração de resultados. Difícil também medir o ganho, lembrou ele.
Suas observações tiveram por base o que foi avaliado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a publicidade do Governo Federal ao longo de três mandatos. Entre os achados, constam estimativa deficiente do custo, ausência de indicadores, falta de transparência e briefing genérico. Usou como base para a indicação de boas práticas na gestão dos contratos de publicidade cartilhas elaboradas pelo TCU e pelo TCE-GO, disponibilizados aos participantes do Encontro.
Comunicação estratégica
Facilitador da oficina “Fale com clareza, comunique com estratégia”, o jornalista Paulo Beraldo apontou que se comunicar bem, traduzindo temas complexos, é uma habilidade imprescindível aos bons profissionais. Participaram da capacitação uma vereadora, comunicadores, ouvidores, controladores e estudantes de diferentes municípios goianos.
Paulo, que é mestre em Ciências da Comunicação e diretor da ABCPública, explicou que superar o medo de falar em público exige consciência das próprias dificuldades, capacidade de observação e treino. Ao abordar técnicas que melhoram a comunicação, ele destacou a importância de definir a mensagem de maneira objetiva, tendo ciência do público que se espera atingir e domínio técnico da linguagem para garantir a compreensão.
Foram ensinadas técnicas para assegurar objetividade, segurança, fluidez e naturalidade, a fim de atingir os objetivos de uma comunicação estratégica, que pode ter a finalidade de informar, alinhar, capacitar, persuadir ou inspirar. Por fim, Paulo ressaltou que a ansiedade é natural ao processo e não deve ser ignorada, mas sim canalizada para atingir os objetivos da mensagem.
Storytelling
O release foi produzido, o post foi publicado, mas será que a mensagem foi compreendida? De acordo com Cleiber Levy, subdiretor de Ensino, Instrução e Pesquisa da Polícia Militar do Tocantins (PM-TO), “curtidas, alcance e visualizações medem exposição e interação, mas nenhuma dessas métricas comprova compreensão”, e é aí que o storytelling se destaca como importante técnica no âmbito da comunicação pública. Cleiber foi o facilitador de oficina sobre o tema.
Segundo ele, organizar fatos em forma de história, tendo sempre o cidadão como protagonista, gera compreensão, conexão e memória. E diferente da narrativa focada em vender algo ou fortalecer uma marca (que Cleiber identificou como storyselling), o storytelling informa, educa e orienta. “O objetivo da comunicação pública não é persuadir, mas orientar decisões informadas, legais e legítimas”, concluiu.
Confira as fotos do segundo dia do Encontro no Flickr do TCE-GO.
Texto: Antônio Gomes, Bruno Balduino, Gabriella Gouvêa e Vívian Maia
Fotos: André Landre e Kazuo