Com uma alegria cativante, energia e leveza que podem surpreender por vir de uma PhD em física, a professora Sonia Guimarães brindou as participantes do “TCE-GO Por Elas & Para Elas” com uma palestra memorável. Aos 68 anos, negra, cientista e inventora, ela própria é uma página de superação. Venceu as barreiras do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que sequer aceitava mulheres entre seus alunos e, desde 1993, vem se tornando um dos grandes nomes daquela instituição. De sua coleção de títulos acadêmicos, destaca-se o PhD conquistado na Universidade de Manchester, Reino Unido.
“Do direito à efetividade: superando barreiras estruturais para garantia dos direitos das mulheres” foi o título da palestra ministrada por ela, que começou falando sobre inspiração. “Estado mental ou emocional que se caracteriza por estimular fortemente o ímpeto criador, especialmente entre artistas e cientistas”, assinalou, destacando que manter-se inspirado traz felicidade, faz seguir em frente e crescer como pessoa. Discorreu sobre as expectativas para a vida e como inspirar terceiros.
Propósito e coragem foram outros pontos destacados para que a mulher chegue onde quer. Sonia citou a negra norte-americana Rosa Parks, que recusou-se a levantar do banco de um ônibus reservado aos brancos, em 1950, no Alabama, fazendo surgir o movimento negro pelos direitos civis. “Para ter coragem é preciso ter autoconfiança, autoestima, determinação e estar preparada para a vida”, continuou. Ela explicou que ser autoconfiante envolve “reconhecer suas capacidades e limitações, além de ter a convicção de que é possível realizar uma tarefa ou enfrentar um desafio. Ao contrário do que muitos podem pensar, ser autoconfiante não significa abandonar sua humildade, mas sim o contrário”.
Outros pontos abordados foram a determinação, o protagonismo feminino, a ocupação feminina de espaços de decisão, poder e política, a exemplo dos números que refletem a desvantagem das mulheres brasileiras. É que em 2022 o país estava na posição 129, com apenas 17,7% das cadeiras da Câmara dos Deputados ocupadas pelas mulheres e, dessas, apenas 2,6% eram pretas; no Judiciário, dos 2.714 magistrados 1.038 são mulheres; nos mais de 160 anos do STF, apenas três ministras foram nomeadas. Realidades que, segundo a palestrante, podem ser mudadas pelas próprias mulheres, pelo instrumento do voto.
Ao finalizar, e referindo-se às mulheres negras, ela aduziu que, de modo geral, “ao ocupar o espaço público elas me permitiram entender que não estou sozinha nas minhas dores. Há um componente estrutural, resultante de aproximadamente 400 anos de escravidão e de uma abolição inconclusa que se manifesta cotidianamente”.
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Texto: Antônio Gomes; Fotos: André Landre e Kazuo